O Verdadeiro Drafts & Sketches

Porque é que o livro de Zygmunt Bauman, “Isto não é um diário” (2012) seria o melhor blog alguma vez criado?

“Isto não é um diário” é um conjunto de pensamos desligados que definem a realidade do mundo nestas primeiras décadas do século XXI e que, de certa forma, refletem sobre essa mesma realidade. Logo, não é um diário do autor Zygmunt Bauman, mas sim um diário da Humanidade aos olhos de Bauman. Este discute sobre economia, sociologia, diferentes culturas, religiões, a ética e os valores na atualidade, os jovens e as suas responsabilidades e hábitos, entre outros.

Segundo Steven Poole, um jornalista britânico, “se Bauman tivesse postado os comentários deste livro na internet, teria sido o melhor blog do mundo”, mas porque razão?

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De volta à Comunicação Interna, qual o panorama atual das organizações?

A visão de Bill Quirke (2008), em “Making the Connections – Using Internal Communication to Turn Strategy into Action” 

Intro

A comunicação interna tem sido colocada, por administradores de grandes empresas, como um dos fatores mais relevantes para o bom desempenho de uma organização. Eles sabem o quão essencial é e entendem que, hoje em dia, envolver os colaboradores em exteriorizar os ideais das organizações é ainda mais difícil de conseguir que antigamente. Talvez como resultado, estes administradores estão a exigir um maior profissionalismo por parte dos responsáveis pela comunicação interna.

Na obra “Making the Connections – Using Internal Communication to Turn Strategy into Action” o autor, Bill Quirke, explica como se desenvolve uma comunicação interna benéfica para a reputação das organizações, analisando: o papel dos colaboradores, o papel da comunicação e quais as lacunas existentes entre eles. Este pretende, com a obra, ajudar as empresas a unir os componentes díspares da sua comunicação interna para um resultado mais eficaz. Ele descreve o porquê, o quê e o como da comunicação interna – porque razão é que as empresas precisam de uma melhor comunicação para atingir seus objetivos, o que a comunicação interna oferece para acumular valor e como é que as organizações precisam de fazer para monitorizar a sua comunicação, obtendo melhores resultados.

Este foca-se em 5 aspetos:

  1. A comunicação como gerador de valor comercial;
  2. A conexão entre estratégia de negócios e estratégia de comunicação;
  3. O impacto, influência e responsabilidade dos líderes das organizações;
  4. A demonstração de que uma melhor comunicação interna envolve funcionários;
  5. A integração da comunicação numa organização para uma maior coerência;

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“O Novo Espaço Público” de Daniel Innerarity

Recensão do livro “O Novo Espaço Público” (2006) de Daniel Innerarity

O propósito do texto “O Novo Espaço Público” de Daniel Innerarity é examinar a ideia do espaço público e das suas transformações na sociedade contemporânea. Espaço público é uma construção dinâmica, delicada e inconstante. Este necessita de ser trabalhado, pensado e discutido, tendo como maior inimigo a imediatez, tanto política como a dos espaços globais abstratos.

O autor começa por avaliar o que é considerado público e privado na atualidade. Para este, a preocupação em separar aquilo que é o espaço público – à responsabilidade do Estado – e aquilo que é o espaço privado – na sociedade civil e nos mercados –  deve ser vista como uma prioridade da modernidade, até porque a distinção do que é a vida pessoal e do que é considerado como um espaço de relações impessoais estava há muito definido, no entanto existe, hoje em dia, uma total confusão do que cada um se trata. Innerarity considera existir uma irrupção do que é privado e do que é pessoal no espaço público. Em parte deve-se ao facto de, no mundo moderno, a identidade de cada um ser vista como algo de extrema relevância para o funcionamento da sociedade, no entanto o espaço público é incapaz de “oferecer significações comuns com as quais os sujeitos possam identificar-se”.  O autor julga, assim, estarmos perante um fenómeno de privatização do público e politização do privado, sendo de extrema dificuldade diferencia-las. Como tal, o balanço que outrora existia entre o que era íntimo e o que era público –  que separava os valores, crenças e emoções pessoais do interesse social e comunitário – passou a ser uma preocupação pública, prevalecendo muitas vezes ao que é considerado de interesse comum. A intimidade passa, deste modo, a estar entranhada na política, ficando difícil de determinar quem invade quem: “Se o privado invade o público ou se o público invade o privado”

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Realidade distorcida

 

Reflexão a partir dos pensamentos escritos na obra de Amin Maalouf, “Um mundo sem regras” (2009)

Um Desabafo

Oh… como é desapontante crescer. Não o digo por antipatia a todos os aspetos inerentes da maturidade: pelas obrigações que agora detenho; ou pelo tempo que necessito de dedicar a diversos afazeres, nem todos de meu agrado; não por esperarem mais de mim agora, que anteriormente; e com certeza que não é a liberdade e independência que conquistei com a idade que me aborrece; ou a responsabilidade anexada à idade que me assusta. É a simples consciência da realidade que me desaponta: dos infindos problemas existentes no mundo; da noção daquilo que é a sociedade no nosso século; até mesmo da noção daquilo que foi a história da humanidade. No fundo, é a herança de um mundo defeituoso em inúmeros aspetos, demasiados até, que me enche de frustração. É verdade que as virtudes são também incontáveis, no entanto os defeitos estão de tamanha forma enraizados nas culturas e hábitos das populações que, se nada for feito para os emendar, não existirá qualquer virtude capaz de nos salvar de um desfecho arrasador. Pior que tudo isto, é que só tomei consciência do que se passava quando cheguei à idade adulta. O aperceber-me de que estive cego durante tanto tempo deixa-me aflito e angustiado. Será que toda a minha geração, a geração a que cabe modificar o rumo das coisas, também passou os seus primeiros 20 anos a viver numa realidade distorcida?

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Um ideal a retomar

Comentário à obra de Rob Riemen (2011), “Nobreza de Espírito – Um ideal esquecido” 

Intro

“Sem nobreza de espírito, a cultura desvanece-se. Neste século, num momento em que a dignidade humana e a liberdade estão em perigo, este conceito raramente é tido em conta.”

Ao ler a obra de Riemen confesso que desenvolvi argumentos para justificar aquilo que considero serem as minhas convicções. Com isto, quero dizer que este texto me deu uma nova bagagem teórica, ajudando-me a fundamentar aquilo que vejo ser a missão da pessoa escolarizada: com acesso à educação e com possibilidades de progressão na vida. Nunca acreditei que estivéssemos ausentes de responsabilidade para com o futuro da Humanidade. Estou convicto que temos um papel a desempenhar e cada individuo deve dedicar a sua vida a cumprir esse papel da melhor forma possível, tendo em vista não só a realização pessoal, como uma contribuição significativa para a sociedade. A exigência tem de ser do próprio para consigo, não podemos exigir muito dos outros sem faze-lo primeiro a nós mesmos. Qual o objetivo? Alcançar o que vo Hutten chama de “nobreza de espírito”.

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Projeto Mundo: Repensar os nossos objetivos

Comentário às ideias expressas em “Rethinking the Enterprise”, de Philipphe de Woot

“Never has our ability to create wealth been greater, and never has the absolute number of people in poverty been so high; never has our scientific and technical knowledge been so compelling, and never have governments of nation-states been so toothless” Rethinking the Enterprise, (Woot, 2013)

A sociedade moderna, como a conhecemos, é estimulada por um sistema capaz de retirar do Homem o máximo das suas capacidades. Foi através deste que a Humanidade alcançou grandes feitos – permitiu um desenvolvimento tecnológico exponencial. Este é gerado por competitividade corporativa e sustentado pela criação de riqueza. Tal sistema pode ser descrito como eficaz e dinâmico, capaz de alcançar resultados fenomenais. No entanto as falhas apontadas a este sistema, a que alguns chamam de Capitalismo, são cada vez mais visíveis no panorama Mundial da atualidade. Ele produziu riqueza como nunca antes criada, no entanto poluiu, excluiu e gerou desigualdade, injustiça e descriminação. O autor do texto “Rethinking the Enterprise”, Philipphe de Woot, não considera necessário mudar de sistema, até porque este demonstrou ser altamente capaz, contudo Woot explica a necessidade de haver uma regulação moderna, ao nível das inovações feitas por este sistema, uma mudança de mentalidade e de abordagem por parte dos decision makers. O autor explica também o papel dos agentes que se encontram a operar consoante o modelo existente, mais concretamente os líderes mundiais e as grandes organizações.

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Um novo desafio

Comentário ao texto “A Ideia de Europa” (2004) de George Steiner

Intro (Língua Universal) + Conclusão (Uma reflexão)

Este blog começou como um desafio feito por dois professores durante o segundo semestre do ano letivo passado, um desafio que contaria para a minha nota final à cadeira por estes lecionada. Quando o semestre acabou, confesso que não pensei em retomar o hábito semanal adquirido entre Fevereiro e Maio de 2016, até porque já não iria ter o incentivo por detrás do mesmo. Quando, no início deste novo semestre, soube que teria de voltar ao ativo, achei o método um pouco repetitivo e, honestamente, cansativo. Logo, ao saber que o teor dos textos deveria ser baseado em obras ou estudos realizados por autores de renome (por mim desconhecidos) fiquei um pouco aborrecido… Até que, li os textos.

Agora, escrevo em português, quando antes teimei em escrever em inglês. Pensei para mim: “Será normal expressar-me melhor numa língua estrangeira do que na minha língua materna?” Steiner respondeu-me: “Nada ameaça Europa mais radicalmente (…) do que a onda detersiva e exponencial do anglo-ameriacano (…). O computador, a cultura do populismo e o mercado de massas fala anglo-americano desde as discotecas de Portugal ao império da comida rápida de Vladivostok”.

A língua é a base na qual a cultura de um País se forma. Esta envelhece com as suas fronteiras e evolui com o tempo, porém o ADN inicial mantém-se, fazendo parte da população desse país, independentemente da geração a que pertencem. A língua é então uma característica comum a todos os portugueses. Eu sou português e devo ter orgulhar em expressar-me na minha língua portuguesa. Esta que faz parte da panóplia de línguas Europeias. Eu sou europeu e devo orgulhar-me em pertencer a uma cultura composta por uma diversidade ímpar a qualquer continente.

Eu aceito a língua universal, sendo que esta é também uma língua europeia, contudo não posso estar indiferente à crítica feita por George Steiner, porque a mim a carapuça não só serve como foi feita à medida. “A vida não refletida não é efetivamente digna de ser vivida” – percebi então que o método utilizado este semestre não é de todo repetitivo, pois o desafio deixou de ser criar um blog e publicar postes semanais apenas acerca da minha área de estudo, passou a ser uma reflexão contínua sobre as obras que me são impostas e especialmente sobre a vida, não só a minha, mas a da minha geração, diretamente ligada a futuro do nosso estimado Continente. Também não é cansativo, é gratificante e enriquecedor. A habilidade de refletir combinada com a capacidade cognitiva consegue mudar o modo de pensar de uma pessoa, a forma de encarar a vida e até modificar a própria identidade do ser. Ao ler estes textos fiquei com vontade de conhecer as figuras neles mencionadas e as histórias nestes relatadas: quem foi Isaac Babel, Charles Péguy e Husserl? Como é a Europa de Montaigne e Erasmo, de Voltaire e Immanuel Kant? Quais foram os pensamentos de Carlos Magno? Acima de tudo, fiquei com vontade de fazer parte da “Ideia de Europa” que Steiner visiona, pois talvez seja insensato da sua parte sonhar que “o homem comum siga as pisadas de Aristóteles e Goethe”, mas não acredito que seja demasiado tarde para tentar.